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	<description>Um herói disposto a tudo para proteger os inocentes</description>
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		<item>
		<title>Resgate #25</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Feb 2008 10:49:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Norberto da Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ação]]></category>

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		<description><![CDATA[Três anos de Resgate: Em 2005, na Cidade de Atibaia, o jovem conhecido como Júlio sobreviveu a uma explosão e ficou em um estado de coma que não podia ser explicado pelos médicos, sua noiva, no entanto, não teve tanta sorte e morreu sem que sobrasse sequer um corpo para ser enterrado. O motivo pelo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=joaoresgate.wordpress.com&amp;blog=2848391&amp;post=6&amp;subd=joaoresgate&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><b><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Três anos de Resgate:</font></font></b></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Em <b>2005</b>, na Cidade de Atibaia, o jovem conhecido como Júlio sobreviveu a uma explosão e ficou em um estado de coma que não podia ser explicado pelos médicos, sua noiva, no entanto, não teve tanta sorte e morreu sem que sobrasse sequer um corpo para ser enterrado.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">O motivo pelo qual o jovem não acordava é que, em sua mente, ele fora contatado por um alienígena. Este se apresentou com um nome estranho e foi “batizado” pelo jovem apenas como Sam, que revelou que forças malignas se aproximavam da Terra e Júlio fora escolhido para enfrentá-las. Depois de certa relutância o rapaz aceitou o destino que se impunha.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Assim eles treinaram na mente do rapaz e, quando acordou, Júlio desenvolveu vários poderes. Agora ele podia deixar seu corpo intangível, com uma característica névoa ao seu redor, o Efeito Fantasma e com esse poder, que ele também pode manter apenas em uma parte de seu corpo, como os braços, por exemplo, ele é capaz de golpear a alma de seus inimigos ou provocar uma forte agonia, fazendo seu braço entrar em contato com um inimigo, o que ele chamou de Distorção da Alma.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Sam conseguiu erguer uma poderosa empresa, a MegaSoluções S.A., na qual Júlio começou a trabalhar, se mudando para a cidade onde a empresa fora fundada, São Paulo, onde também seria a base de operações da dupla na luta contra seus inimigos.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Recebendo um uniforme especial, que impediria que seus poderes o afetassem de forma negativa, o que poderia resultar numa dispersão total de sua própria alma, Júlio escolheu o codinome Resgate, depois de ajudar alguns Bombeiros num incêndio.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">Ainda em seu primeiro ano agindo como Resgate, ele conheceu o Expurgo, que viria a ser um de seus piores vilões e que foi o responsável pela perda de uma perna do herói, obrigando este a usar seus poderes, auxiliado por Sam, para manter uma “perna falsa”.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Ainda nesse ano o vilão Expurgo seria o responsável pelo fato de uma amiga de Júlio contrair uma doença terminal.[1]</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Já em <b>2006</b> vários vilões surgiram na vida do herói, resultando em batalhas nas quais ele correu perigo de vida várias vezes, mas que também reforçaram a força de vontade e as habilidades do Resgate.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">Flagelo, Mapinguari, Assassino Cover, Vetora, além do próprio Expurgo e até mesmo um demoníaco Homem do Saco, foram alguns dos vilões que ele enfrentou. De várias dessas batalhas e outras situações, surgiram também valiosos aliados tais como o Investigador Pereira, Arena, que mais tarde viria a se tornar namorada do herói, Freqüência, o Lobisomem Hadnipa Oti, Caduceu entre outros.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Ainda em 2006, no final do ano, os inimigos citados por Sam finalmente fizeram seu primeiro movimento, aprisionando todos os amigos do Resgate e se revelando como os Espíritos Sombrios, criaturas seculares que viajavam de planeta em planeta, fomentando caos e destruição para sorverem as emoções negativas vindas de tais conflitos. Em uma luta contra o Expurgo, este se revelou como sendo uma contraparte do próprio Resgate, vindo de uma dimensão onde os Espíritos o derrotaram e perverteram seus poderes para que ele os servisse. </font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">Os Espíritos também revelaram que, viajando no tempo, alteraram as vidas de praticamente todos os aliados do herói, manipulando-os para que chegassem a um momento de escolha: Ou davam as costas para o Resgate, recuperando todas as tragédias de suas vidas, ou permaneciam como estavam.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">Ninguém quis trair o herói e depois de uma longa batalha ele venceu o Expurgo, mas o vilão, também responsável pela morte dos pais de Júlio, acabou sendo salvo por seus mestres.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">Na noite de Natal, pouco tempo depois de ter sua perna finalmente restaurada por Sam, o herói se envolveu numa batalha contra uma terrível criatura, que chamou a si mesmo de Homem do Saco, tentando salvar uma garotinha. Nessa época ele foi chamado pela primeira vez de Guardião das almas.[2] </font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Em <b>2007</b> Júlio recebeu um novo uniforme que, a pedido seu, era todo negro, com um capacete que protegia melhor sua identidade secreta, também por causa dos cabelos queimados na explosão que matou seus pais, e ele começou um intenso treinamento, visando poder vencer os Espíritos Sombrios.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Nessa época ele enfrentou ameaças antigas, como o Flagelo e novas, tais como a dupla de mulheres canibais, Sombra e Escuridão, ou mesmo Legião e Sepulcro, todos criações dos Espíritos Sombrios. Em algumas dessas batalhas ele recebeu ajuda de antigos e novos aliados, como o Visionário e NanoTron.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">Ainda em 2007 ele enfrentou também o terrível Doutor Zork e lutou ao lado de outros heróis, como o Revolt e o Esquadrão M[3], junto com esse grupo ele evitou que um meteoro caísse na Terra, acabando com a vida em nosso planeta.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">No fim do ano ele enfrentou e venceu os Espíritos Sombrios e, dessas lutas, muitas revelações surgiram, inimigos mudaram aparentemente de lado, Júlio descobriu que os pais estavam vivos e Sam revelou um segredo que o jovem descobrira pouco tempo antes.[4]</font></font></p>
<p><font color="#000080"><font size="4"><span><font face="Verdana, sans-serif"><font color="#0000ff"><font size="4"><span><font face="Verdana, sans-serif"><font size="3" color="#000000"></font></font></span></font></font></font></span></font></font><font color="#000080"><font size="4"><span><font face="Verdana, sans-serif"><font color="#0000ff"><font size="4"><span><font face="Verdana, sans-serif"></font></span></font></font></font></span></font></font><font color="#000080"><font size="4"><span><font face="Verdana, sans-serif"><font color="#0000ff"><font size="4"><span><font face="Verdana, sans-serif"></font></span></font></font></font></span></font></font><font color="#000080"><font size="4"><span><font face="Verdana, sans-serif"><font color="#0000ff"><font size="4"><span><font face="Verdana, sans-serif"><font color="#0066cc"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="4">Edição #25. Redenção impossível.</font></font></font><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1"> </font></font><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1"></font></font></font></span></font></font></font></span></font></font><font color="#000080"><font size="4"><span><font face="Verdana, sans-serif"><font color="#0000ff"><font size="4"><span><font face="Verdana, sans-serif"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1"></font></font></font></span></font></font></font></span></font></font><font color="#000080"><font size="4"><span><font face="Verdana, sans-serif"><font color="#0000ff"><font size="4"><span><font face="Verdana, sans-serif"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1"> </font></font></font></span></font></font></font></span></font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Por João Norberto da Silva.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">10 de Janeiro de 2008. Cidade de São Paulo.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Um garoto estava sentado sozinho no banco de uma praça, apenas alguns quarteirões de distância de sua casa. Fernando era solitário e praticamente sem amigos, ele vivia suas aventuras através de livros e revistas e, naquele exato momento, ele devorava o último livro da coleção de Harry Potter, que finalmente conseguira comprar quando a mãe recebeu um extra no serviço.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">O pai havia fugido anos atrás e deixara a família na miséria, o que forçou a mãe, Jussara, a se desdobrar para cuidar do filho, mantê-lo estudando, dar o máximo de atenção que ela podia, mas nem sempre era possível e o garoto acabou crescendo um tanto retraído e tímido, o que realmente não o ajudou a ser popular entre os colegas da escola, desse jeito ele acabou por desenvolver o gosto pela leitura, o que o levava a passar horas na biblioteca municipal, nas muitas vezes em que a mãe precisava trabalhar em dobro e não tinha ninguém com quem deixá-lo no período da tarde, depois dele estudar de manhã.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">O presente de Natal chegara atrasado e apesar do garoto ter visto o livro para baixar na internet, ele queria senti-lo em suas mãos, o folhear das páginas, o cheiro da impressão. Tudo aquilo fazia a diferença e, no alto de seus dez anos, Fernando dava muita importância para aqueles detalhes.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Tamanha era sua concentração que ele não percebeu a praça esvaziar de repente, a temperatura, quente e agradável até ali, caíra muito e nem tampouco viu o estranho homem que se aproximava até este sentar ao seu lado.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">- Bom livro?</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">- Hã? – Um sobressalto, afinal não era comum alguém querer falar com Fernando, o que o deixava geralmente feliz, mas sua mãe o educara o suficiente para não responder mal ao homem que interrompera sua leitura. – Ah&#8230; Sim&#8230; É o último livro do Harry&#8230; Do Harry Potter&#8230;</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">- Sei&#8230; Conheço e li todos&#8230; Você já terminou? Sabe como acaba?</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">- Não&#8230; Minha mãe só conseguiu comprar ontem, mas eu já estou perto dos últimos capítulos&#8230; – Quando se tratava de falar sobre livros o garoto deixava de lado até a prudência de não falar com estranhos. – Devo terminar hoje&#8230; Mal posso esperar prá ver o que vai acontecer&#8230;</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">- Sei&#8230; Uma pena isso&#8230;</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">- Pena?</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">- Você conhece todas as magias do livro? Sabe qual a minha favorita?</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">Fernando havia fechado o livro, se preparando para sair dali o mais rápido possível, mas antes dele sequer se levantar, ouviu o outro dizer “Avada Kedrava” e no instante seguinte o menino jazia caído no chão, abraçado ao livro, cujo final ele nunca leria.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">- Hahahahahahahahahaha!!!! Entendeu a piada? “Avada Kedrava”!!! Hahahahahahahahahahahahaha&#8230;.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">E o estranho partiu dali, gargalhando e levando consigo o pequeno corpo, que ainda tinha uma fagulha de vida, sendo perfeito aos seus propósitos sinistros.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Dois dias depois. Uma nova fase se inicia na vida do herói conhecido como Resgate.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Júlio havia decidido se mudar, comprou uma casa graças a certa quantia em dinheiro, que ele descobriu que Sam havia lhe deixado, seguindo o que seu pai falou, quando ele havia anunciado há anos atrás que ia comprar um apartamento em São Paulo, “Um apartamento? Muito bem, eu te ajudo, mas lembre-se&#8230; Quando você compra uma casa, você é dono da terra que tem debaixo dela&#8230; Quando compra um apartamento você é dono do quê? Do ar?”. Tendo isso em mente o rapaz optou por uma bela casa, distante alguns quarteirões da Avenida Paulista, o que até facilitaria sua ida ao trabalho, bem como alguns dos planos que ele fizera para esse ano.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Os advogados da MegaSoluções estavam terminando de resolver os problemas quanto à “morte” de seus pais, o que ocorria em um tempo recorde, mais uma “cortesia” deixada por aquele que ele acreditava ser seu amigo. Esse era uma preocupação a menos, deixando que ele direcionasse seus pensamentos para outros assuntos.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">- Mas, diz aí Júlio&#8230; – Era Marcelo, o motoboy da empresa, um dos últimos a serem contratados por Sam, que estava conversando com Júlio e Alex, há alguns dias atrás. – Como vão ficar as coisas? Quer dizer, o Sam sumiu mesmo?</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">- Pelo visto sim&#8230; – Júlio realmente não tinha muita disposição para falar sobre aquilo e nunca levava as conversas muito adiante.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">- Dizem que ele engravidou uma garota e se mandou&#8230; – Alex desfiava suas teorias. – Ah! Qualé Júlio&#8230; É o que andam falando&#8230;</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">- Eu acho que ainda vamos ter muitas surpresas esse ano&#8230;</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">- E lá vem você com esse papinho&#8230; Pô! Tu é meu padrinho de casamento&#8230; Tá vendo Marcelo? O cara sabe de alguma coisa e num quer contar&#8230; Sacanagem né?</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">- Vamos deixar de fofoca caraca! – Júlio sempre tentava dar um basta naquele assunto, por sorte ele aprendeu a se aproveitar do ponto fraco do amigo Alex. – Quem quer almoçar? Eu tô pagando.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">- Opa! Minha mãe me ensinou a nunca recusar um convite desses! Que tal Marcelo?</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">- Almoço grátis? Só se for agora!</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Júlio sorria com as lembranças do divertido almoço e da revelação feliz de que Marcelo voltara a namorar com a garota da qual ele gostava e com quem havia rompido há um tempão[5]. O Resgate se encontrava no alto do prédio onde ele não mora mais, hábito que seria difícil de largar, pretendendo sair em sua patrulha noturna. Ele acionou seu visor holográfico, um novo apetrecho deixado por Sam e repassado para o herói pelo novo presidente da MegaSoluções S.A., o médico conhecido como Caduceu. Ao que parece o projeto foi desenvolvido por uma proeminente cientista[6], cujas pesquisas, Sam estava bancando e que agora Caduceu estava assumindo.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">O visor era fantástico, junto com a luva, que já havia sido desenvolvida para ampliar os poderes do herói, ele podia ver todo tipo de informação que fosse necessária, desde seus próprios sinais vitais, aos de outras pessoas.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Ele decidiu também testar seu novo poder, o Efeito Angellus fazendo com que seu braço esquerdo assumisse um brilho quase cegante, que acabava criando até mesmo uma pequena corrente de ar, o suficiente para despentear os cabelos do herói.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">Assim que seu braço voltou ao normal, Resgate teve de respirar profundamente algumas vezes, ainda não era nem um pouco fácil e ele sabia que teria de aumentar a carga de treinos para dominar essa nova habilidade, mas ele iria conseguir, disso tinha certeza.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Fazendo com que o Efeito Fantasma cobrisse todo o seu corpo, isso ele já conseguia sem nenhum esforço, o herói ficou envolto na característica névoa desse poder e alçou vôo ganhando os céus noturnos de São Paulo.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Mais tarde o herói iria descobrir o motivo pelo qual ele parecia atraído para uma direção específica, mas naquele momento, o prazer de voar e os planos que ele passava e repassava na mente, o distraíram tanto que ele não percebera nada.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Quando Resgate começou a sobrevoar uma área onde existem vários galpões abandonados, algo o atingiu por trás, o que ele demorou a assimilar, uma vez que, em seu atual estado, nada deveria poder tocá-lo, e ambos começaram a cair em um dos galpões, atravessando o teto do local sem causar nenhum tipo de estrago, o que mostrava que seu inimigo também estava intangível.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">Assim que ambos chegaram ao solo, Resgate conseguiu se desvencilhar do outro e se colocou em posição de combate enquanto o misterioso atacante se levantava calmamente, limpando a poeira que havia sujado o que parecia um uniforme.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">O homem trajava um tipo de sobretudo negro com detalhes em azul, uma calça jeans com joelheiras apareceu quando ele moveu o sobretudo, revelando também o que pareciam pesadas botas. Ele ainda mantinha nas mãos luvas negras com detalhes metalizados. Ele ainda tinha longos cabelos brancos e no rosto uma máscara negra lhe cobria todo e qualquer detalhe que pudessem facilitar uma identificação.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">- Muito bem&#8230; – Resgate pretendia ganhar tempo enquanto analisava o que poderia servir de vantagem no local onde estavam. – Imagino que tem um motivo prá você ter me atacado né?</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">- Ora, ora, ora&#8230; – Uma voz conhecida chegou aos ouvidos do surpreso herói. – Foi só eu mudar de visual que tu num me reconhece mais&#8230; Maninho?</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">- Expurgo? – Aquilo realmente pegara Resgate de surpresa, sendo que seus amigos haviam comentado sobre o ocorrido no Natal, quando o vilão havia ido embora, levando o espírito de sua namorada, ambos iriam voltar para a realidade de onde haviam saído. – Mas o que que cê ta fazendo aqui ainda? E a Tânia? Quero dizer, a <strong>sua</strong> Tânia?</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">- Incompatibilidade de gênios&#8230; Ou de objetivos&#8230; De repente eu tinha outros planos&#8230; Você escolhe o que mais te agradar&#8230; O que importa de fato é que resolvi ficar por aqui, onde tem muito mais oportunidades prum cara como eu&#8230; Afinal eu só preciso me livrar de você prá eu poder realmente me sentir livre de toda e qualquer ligação com meu passado e&#8230;</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">- Expurgo&#8230; Cê tá mais louco do que de costume&#8230; Quer dizer que cê teve a chance de voltar pro teu mundo e jogou na latrina? E deve ter matado a coitada da Tânia&#8230; Seu filho da&#8230;</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">- Opa! Num esquece que, “tecnicamente”, somos filhos dos mesmos pais&#8230; Aliás como vão eles?</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">- Se você se aproximar deles&#8230;</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">- Num esquenta&#8230; Quero cortar os laços com o passado e se eu num matei eles antes, agora é que eu num faço, depois de ver como você fica todo nervosinho e&#8230; Uuuunnnnffff!!</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">Antes que o vilão pudesse reagir, Resgate cobriu a distância que os separava e desferiu um potente soco no rosto de seu inimigo, fazendo com que esse desse vários passos para trás, até parar e limpar o sangue que escorria de sua boca, usando as costas de uma de suas mãos.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">- Ceeerto&#8230; Sem papo então&#8230; Cai dentro!</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Os dois silenciaram, travando um combate onde ambos colocavam para fora suas frustrações e ódios pessoais, dois homens que são o mesmo, apesar de serem nativos de realidades distintas, mas na essência o mesmo ser. </font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Resgate conseguiu acertar um chute na coxa do inimigo, enquanto esse aproveitou o impacto do golpe do outro para girar o próprio corpo, desferindo um certeiro soco no rosto do herói e, aproveitando que acertara um golpe, Expurgo lançou sua perna, mirando seu joelho no tronco do outro, que parecia desprotegido.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">Parecia.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Resgate se recuperou mais rápido do golpe anterior, mais rápido do que o inimigo esperava e, tendo amortecido a joelhada, conseguiu segurar a perna do Expurgo, travando a mesma e atrapalhando o equilíbrio deste, o que facilitou uma rasteira que jogou o vilão contra uma pilha de lixo e destroços, acabando por perder o fôlego devido à violência do impacto.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Seria o momento de algum comentário irônico ou mesmo espirituoso, mas naquela luta estavam inimigos que se conheciam bem demais e, sabendo que cada minuto contava, Resgate fez o Efeito Fantasma cobrir seu braço e correu visando o rosto de seu inimigo com o punho cerrado.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Expurgo conseguiu erguer seu braço, coberto por névoas negras, o equivalente do golpe do herói, e segurou o punho do outro a centímetros de seu rosto. O vilão tentou acertar um golpe com sua mão livre, mas Resgate o emulou e conteve o ataque, ficando os dois num impasse, nenhum cedendo um centímetro sequer, aos poucos ambos foram estendendo seus poderes para o resto do corpo e logo um estava quase sumindo numa névoa branca, enquanto o outro se escondia numa névoa negra.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">Foi nesse momento que eles começaram a ouvir. Parecia um sussurro ao longe, eles chegaram a cogitar que ouviam crianças brincando do lado de fora do galpão, mas logo as vozes foram ficando mais altas e eles puderem identificar o que diziam.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">- Nos ajude&#8230;</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">- Onde estamos?</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">- O que aconteceu?</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">- Eu morri?</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">- Nos vingue!!!</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Diante dos olhares surpresos dos dois combatentes, começaram a surgir do chão vários espíritos de crianças, que se lançaram sobre os combatentes, forçando-os a se separar e deitar no chão, por conta da verdadeira onda de suplicantes que acabaram por se lançar sobre os dois.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Os pedidos de socorro e vingança aumentavam de volume, forçando Resgate e Expurgo a cobrir os ouvidos, mas mesmo assim os gritos das crianças continuavam a ficar mais e mais altos e eles sentiam como se fossem golpeados fisicamente.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Tamanha foi a violência espiritual a que ambos foram submetidos, que nenhum conseguiu resistir e desmaiaram em seguida.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">XXX </font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Naquele momento, a alguns fusos horários de distância, em Washington, capital dos EUA, dois homens travavam uma sinistra conversa.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">-&lt;Tem certeza de que é seguro conversarmos aqui?&gt;[7] – Silêncio foi a única resposta que o homem em farda militar recebeu. – &lt;Certo&#8230; Desculpe, eu sempre me esqueço que você consegue prever todas as possibilidades&#8230; Ainda não me acostumei a lidar com essas situações.&gt;</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">-&lt;Ótimo! Tudo o que eu queria é que você admitisse que eu sempre estou certo&#8230; Não me canso de ouvir isso&#8230;&gt;</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">-&lt;Humpf&#8230; Então&#8230; Como está o nosso avanço?&gt;</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">-&lt;Ainda estamos no estágio de recrutamento, mas os que já temos estão passando por um severo treinamento, tanto físico como&#8230; Hum&#8230; “Mental”, se é que me entende.&gt; – Agora era a vez do outro “responder” com silêncio, o que nem foi registrado pelo homem que parecia comandar aquela conversa. – &lt;O mais importante é que, no final do treinamento, todos serão perfeitos heróis americanos, totalmente fiéis às nossas ordens&gt;.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">-&lt;Esplêndido! E sobre aquela outra situação? Seremos os primeiros?&gt;</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">-&lt;Infelizmente não&#8230; Provavelmente os segundos, talvez até os terceiros, Quem sabe até os quartos, dependendo de como andarem as coisas entres os orientais, imagino que você tenha visto na televisão sobre a tal garota do Vaticano[8]&#8230;&gt;</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">-&lt;Maldição!&gt; – O militar esmurrou o braço do sofá onde estava sentado e se levantou de modo violento, precisando de uns minutos para recuperar a calma. – &lt;Eu prometi ao presidente que seria mais rápido que meus antecessores para criar essa equipe de super-seres&#8230; Ele quer apresentar <strong>sua</strong> equipe para o mundo antes que qualquer outro país o faça e, principalmente, antes das eleições de Novembro, para ser lembrado como o presidente que deu a proteção perfeita para o país&#8230; Qualquer outra coisa é inaceitável.&gt; – O outro apenas manteve seu olhar firme e um tanto quanto debochado. – &lt;Não vai falar nada?&gt;</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">-&lt;Você me contratou para que eu visualizasse todos os cenários mundiais possíveis, depois do ocorrido em Israel, o que eu tenho feito usando todo tipo de informação que chega até mim, computando, na falta de um termo melhor, com minha inteligência nível ômega. Se quisesse alguém para lhe dar falsas estatísticas ou promessas, não teria me chamado.&gt;</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">O militar ergueu uma sobrancelha em claro sinal de descrença, qualquer outro homem que o conhecesse jamais falaria daquele modo, a não ser que fosse um maldito suicida, porém seu interlocutor permanecia sentado, a fisionomia impassível de quem acabara de falar com uma criança, não um adulto que poderia matá-lo com apenas um golpe.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">-&lt;Então&#8230;&gt; – Era hora de retomar o controle. – &lt;Se não existe meio, <b>ao seu alcance</b>, de acelerar o processo, cuide para que a equipe, quando <b>finalmente</b> estiver pronta, seja a mais poderosa que esse mundo já viu.&gt;</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">O homem, que permaneceu sentado, gravou bem as palavras que o outro frisou, numa tentativa de apelar para sua arrogância, mas esse é um defeito que ele já havia vencido há tempos, portanto ignorou a provocação, mas guardou o tom de ameaça que havia ali.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">-&lt;E será meu caro&#8230; Sua equipe será grandiosa.&gt;</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">O militar se retirou então, sem dizer mais nada, deixando o outro sozinho, mas não por muito tempo, pois logo uma bela mulher, de longos cabelos loiros e corpo escultural, saiu de um quarto e se colocou atrás da poltrona onde ele estava, começando uma sensual massagem.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">-&lt;Pelo visto estamos nervosos não é?&gt;</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">-&lt;Apenas uma tentativa cheia de testosterona de me intimidar e manipular&#8230; Como se ele pudesse lograr êxito dessa maneira&#8230;&gt;</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">-&lt;A minha é muito melhor não é?&gt; – Ela agora sussurrava no ouvido dele e lhe mordiscou a orelha. – &lt;Por isso você vai me dar grandes poderes&#8230;&gt; </font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">-&lt;Sim&#8230; Você será perfeita&#8230;&gt;</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">O homem, na verdade, mal prestava atenção nos carinhos da garota, sua mente estava longe, visualizando todas as variáveis que advinham daquela visita que ele acabara de receber e, ao finalizar esse processo, ele exibia um largo sorriso.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">XXX</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Aos poucos a visão foi entrando em foco e quando finalmente Resgate conseguiu abrir os olhos, ele percebeu que ainda estava no mesmo galpão, onde havia desmaiado, e viu também que os espíritos das crianças, que foram os responsáveis por derrubá-lo, agora permaneciam paradas, todas com aquele típico ar infantil de quem havia aprontado alguma.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">O herói se ergueu devagar, ainda sobressaltado pelo ocorrido, quando percebeu que havia mais alguém junto com as crianças, alguém que se mantinha escondido entre as sombras do galpão.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">- Muito bem&#8230; – Depois de certa dificuldade, finalmente o herói estava em pé, com o EF cobrindo seu braço esquerdo. – Saia devagar das sombras e nem pense em nenhuma gracinha&#8230;</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Quando o desconhecido fez o que ele pediu, no entanto, o herói ficou tão desconcertado que acabou até por desativar seus poderes.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">- Você? Ah! É brincadeira né? Será que todo santo começo de ano tu tem que aparecer <strong>Flagelo</strong>? Que saco, ninguém fica morto mesmo né?</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">- Acredite quando eu digo que estar diante de você é a última das minhas vontades&#8230; “Herói”&#8230; Assim como a sua noção de vivo e morto deixa a desejar&#8230; Mas o odioso fato é que&#8230; Preciso de sua&#8230; – As palavras pareciam sair com muita dificuldade. – Ajuda&#8230; Maldição! Não faça esse semblante de tamanha surpresa&#8230; Venha me ajudar a despertar o outro que estava com você, não quero ficar repetindo minha história&#8230;</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">Resgate olhou para o lado e percebeu que o Expurgo permanecia desacordado e, com um sorriso no rosto, ele decidiu como acordaria o inimigo.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">- Gasp!!! Cof! Cof! Cof! Mas que diabos?!!!!</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">- Desculpe “maninho”, mas eu num vi outro jeito melhor de te acordar do que o bom e velho balde de água&#8230; Mal aí&#8230; Sorte que eu achei o balde e uma torneira que ainda funcionava&#8230; hehehehe&#8230;</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">- Ora seu&#8230; – Expurgo se preparava para atacar, mas parou ao perceber que ainda estavam cercados pelos espíritos das crianças. – Então isso aconteceu de verdade? Droga&#8230; – Assim que ele viu o Flagelo no meio das crianças não pensou duas vezes para perguntar. – Ô cara! Tu num tomou um monte de tiros? Me falaram que cê já era! Será que ninguém mais fica morto?</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Flagelo não pôde deixar de soltar um longo suspiro de impaciência com aquela situação e resolveu começar a contar o que estava acontecendo, primeiramente com sua origem, de como ele fora enganado pelos Espíritos Sombrios, achando ter sido o escolhido do Senhor para ir até o inferno vencer o demônio e eliminar sua influência maligna do mundo. Para isso ele deveria matar crianças e se banhar no sangue das mesmas, o que ele fez durante séculos até ter encontrado o Resgate e este tê-lo impedido, o que ele agradecia agora.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">Após sua morte pelas mãos do Investigador Pereira, numa tentativa de se vingar do herói, Flagelo acreditava que finalmente iria cumprir sua verdadeira missão, enfrentar e vencer o demônio, mas algo saiu errado e ele se viu em um lugar totalmente branco, não havia nenhuma noção de onde ele poderia estar, nem se havia um chão ou um céu, apenas uma imensidão branca.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">- Eu senti uma voz ecoando dentro de mim&#8230; Não me perguntem de quem era aquela voz, pois eu não saberia responder, ou na verdade tenho medo da resposta, mas o mais importante é que ela me disse que, antes de seguir em frente eu deveria encontrar um Guardião das Almas e ajudá-lo a impedir que minha “obra” fosse continuada na Terra&#8230; De repente tudo escureceu e quando voltei a mim estava nesse local, com essas crianças implorando ajuda e fazendo com que vocês dois desmaiassem.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Nem Resgate, nem Expurgo falaram algo, mas não deixaram de estranhar o fato daqueles fantasmas infantis permanecerem calmamente ao lado de alguém que, em vida, sempre se empenhou em matar crianças para continuar vivendo.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">- Eu fui enganado, a voz havia dito isso também, sobre como os Espíritos Sombrios me enganaram. – A expressão de ódio do morto era intensa. – Toda a minha existência é uma blasfêmia que não deveria ter existido e agora tenho uma chance de, ao menos compensá-la, mesmo que apenas vingando essas pobres crianças&#8230; Me surpreendi ao entender que você é o <b>Guardião das Almas </b>sobre o qual a voz tinha me falado, “Herói”&#8230; Resgate&#8230; Preciso de sua ajuda&#8230; Por&#8230; Favor?</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western">“<font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Ele não vai ser otário de aceitar ajudar esse cara né?” Expurgo já sabia da resposta à sua própria pergunta, mas ele acreditava que, lá no fundo, ambos seriam mais parecidos do que eles admitiriam.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">- O que exatamente você precisa? – Não foi um não, mas também não fora um sim, como o Expurgo esperava, o vilão achou se seu “irmão” talvez estivesse ficando mais inteligente. – Não acha que vou me lançar em algum combate por você sem maiores explicações, não é?</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">- É justo&#8230; Bem, a história é por demais curta e simples, apesar de ainda assim se terrível&#8230; Vê essas pobres crianças? Pois bem&#8230; Elas foram vítimas, não de minhas mãos, mas de um outro indivíduo, o que, eu lamento dizer, também faz parte dos inúmeros pecados que eu já cometi&#8230;</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">- Será que você pode ser um pouco mais claro? Ainda não senti a menor confiança no que você tá falando.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">- Certo&#8230; Peço desculpas, essa situação é tão ou ainda mais incômoda para mim do que para você&#8230; Na verdade o responsável por essas atrocidades é um jovem, um jovem que, por vários anos acompanhou as histórias dos meus crimes, sabe-se lá como e, depois de saber de minha morte, decidiu que deveria continuar minha “obra”&#8230; Ele assumiu meu nome e desde que eu morri, essas foram suas vítimas&#8230;</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Resgate e Expurgo olharam novamente para os pequenos fantasmas e não puderam conter sua surpresa. Eram tantas almas, de tantas crianças, assassinadas em tão pouco tempo. O herói não podia nem sequer imaginar deixar tal assassino permanecer livre e o vilão ficou em silêncio absoluto.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">- Tá certo Flagelo&#8230; Eu te ajudo, por causa das crianças e, de algum modo, eu sei que é um dos meus deveres por conta desses poderes que eu tenho, mas se você sequer pensar em me trair&#8230;</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">- Acredite quando digo que quero essa situação resolvida o quanto antes&#8230; E quanto a você?</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">- Heim? – Expurgo foi pego de surpresa. – Eu? O que tem eu?</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">- Você pode ser tão vilão quanto eu fui em vida, portanto preciso saber se vai ajudar ou ir embora&#8230; Não deixarei que nada atrase a busca pelo assassino.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Um tenso minuto de silêncio se passou, Resgate se preparava para um novo combate e as crianças-fantasmas pareciam se esquecer se sua condição, se encolhendo de medo da luta que parecia inevitável, mas, para surpresa de todos:</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">- Quer saber? Nunca topei com nego que faz mal prá criança&#8230; Era uma das coisas que eu odiava nos Espíritos&#8230; E agora tem um fela qualquer que mata criança só de paga pau do Flagelo? Taí um cara que merece apanhar legal&#8230; Vou ajudar vocês.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">- Expurgo&#8230;</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">- Num vem com sermão não “maninho”&#8230; Vou ajudar vocês, quer você queira ou não&#8230; Só num fica no meu caminho e&#8230;</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">- Engraçado&#8230; Era o que eu ia dizer&#8230; E se você resolver aprontar&#8230;</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">- Podemos ir ou vocês ficarão muito tempo trocando insultos?</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Ambos silenciaram diante das palavras do Flagelo e então Resgate ficou de frente para todas as crianças:</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">- Certo&#8230; Preciso&#8230; Hã&#8230; – Ele tentou evitar o máximo o que ele sabia que precisava fazer. – Preciso fazer duas perguntas&#8230; A primeira é&#8230; Eu&#8230; – As palavras não vinham rápido. – Vocês morreram aqui ou em outro lugar? – Primeiro ele, com o coração apertado, percebeu a dor que tal lembrança trouxe às crianças, enquanto se lembravam e diziam, quase em uníssono, apenas a palavra “aqui”. – Certo&#8230; Hã&#8230; Agora eu preciso saber qual de vocês chegou aqui há menos tempo&#8230; Sabem? Quem é que está aqui há&#8230;</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">- Eu&#8230; – Um garotinho, que aparentava uns nove anos no máximo, se adiantou. – Eu acho que sou eu&#8230; Meu nome é Fernando&#8230; Eu&#8230; Tô aqui a uns&#8230; – Ele se voltou para uma menina que não parecia tão mais velha que ele. &#8211; Quanto mesmo?</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">- Dois dias&#8230; No máximo&#8230;</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">- Certo&#8230; – A frieza na voz da menina, que ele realmente não lembrava de ter visto quando as crianças os cercaram, quase fez com que o Resgate se esquecesse do real objetivo deles estarem ali. Ele respirou fundo e se aproximou do garoto, ajoelhando diante deste. – Eu nunca tentei algo assim antes Fernando&#8230; Vou precisar que você seja bem corajoso, tudo bem?</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">A pose infantil que o garoto assumiu, esticando o peito para frente, como se fizesse uma típica pose de super-herói de desenhos animados, fez com que o Resgate se segurasse para não chorar, dada a situação de saber que uma criança como aquela estava morta por causa de um maldito idiota, mas ele resistiu e primeiro fez seu poder tomar os olhos, que ficaram envoltos na característica névoa do Efeito Fantasma.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Normalmente era o que bastava para que ele seguir a imagem residual de crianças desaparecidas, o que ele fez várias vezes desde que começou sua carreira, mas aquilo era diferente, primeiro por que ele queria enxergar o momento em que o garoto chegara ali e depois ir voltando até o local onde ele fora apanhado, em algum desses momentos, talvez ele conseguisse pegar a pista do assassino, mas como ele mesmo afirmou, ele nunca fizera algo assim.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">- Não está funcionando&#8230; – Mesmo colocando sua mão no ombro do garoto, procurando entrar em sintonia com o mesmo, foi inútil. – Não consigo ver nenhum traço deixado pelo assassino&#8230; Quando eu te segui, Flagelo, você parecia uma criatura envolta em trevas, mas&#8230; </font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">- Deixa eu tentar também, seu inútil.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Assim que o Expurgo colocou sua mão, envolta por seu próprio poder, no ombro do garoto, os dois adultos gritaram, ambos finalmente conseguindo ver uma imagem residual do assassino e praticamente sendo lançados longe pelo refluxo da energia que se formou pela ligação de seus poderes.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">- Cacete! Que viagem!</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">- Eu ia falar o mesmo&#8230; – Resgate se ergueu e então voltou a acionar seus poderes sobre os olhos. – Agora eu consigo ver&#8230; Realmente ele lembra muito você Flagelo&#8230; – A imagem espectral do assassino começou a se mover para fora do galpão e então o herói o seguiu correndo. – Bora! </font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Assim que saíram do galpão os dois inimigos voavam quase lado a lado. Expurgo se mantinha um pouco atrás, pois era o Resgate que conseguia ver para onde teriam de ir. Enquanto isso o espírito do Flagelo vinha logo atrás, trazendo todas as crianças fantasmas com ele.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">A estranha “caravana”, que só não chamou atenção de curiosos por ser tarde da noite, seguiu por um bom tempo até que eles pararam diante de um prédio num bairro bem longe dos galpões, mais especificamente entre os edifícios luxuosos próximos à Avenida Paulista.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western">“<font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">O desgraçado não mora muito longe de da minha nova casa” Resgate se pegou imaginando se nunca vira o assassino. O que o deixava ainda mais cheio de raiva era o fato de que provavelmente era alguém que possuía uma renda alta, no mínimo um filhinho de papai que, não tendo o que fazer na sua vidinha, resolveu imitar um assassino como o Flagelo.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">Ele mal imaginava a verdade.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Eles pousaram, se detiveram diante da entrada de um dos vários prédios residenciais da área, olharam para todos os lados e, acionando seus poderes, entraram, subiram vários lances de escada até chegarem ao apartamento número 55. Todos entraram em silêncio, mas, uma vez lá dentro, Resgate e Expurgo foram atingidos por um a onda de poder, que praticamente os forçou a voltar ao normal. Ao fazerem isso, sentiram um fedor terrível, que os fez cobrir suas bocas e narizes com suas mãos numa tentativa vã de não vomitarem.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">O herói, depois de passar as costas da mão para limpar a boca, encontrou um interruptor e acendeu a luz, mas o que eles viram era, para dizer o mínimo, chocante e quase que os dois vomitaram outra vez, se já o tivessem feito.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">O apartamento todo estava revirado, praticamente tudo ali estava destruído, o fedor provinha do que pareciam restos de corpos em decomposição, bem como de fezes espalhadas por toda parte, além de comida obviamente estragada. Era de se espantar os vizinhos não terem reclamado ainda ou mesmo chamado a polícia.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">No centro de toda aquela imundice estava um jovem, que parecia ter entre seus dezoito ou dezenove anos, sentado numa poltrona, o único móvel que permanecia inteiro. Ele tinha os olhos vidrados, a pele tinha um estranho tom acinzentado exibindo vários ferimentos, suas feições davam conta de que nem sequer tinha percebido a presença dos recém chegados.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">- Roberto Alves de Brandão&#8230; – Flagelo falava baixo enquanto rodeava o jovem. – Um jovem que, desde a mais tenra infância se viu dado a estranhos e sádicos prazeres, que o diga seus bichinhos de estimação, sempre encontrados mortos das maneiras mais terríveis. Apesar disso, seus pais não iriam admitir que o filho tivesse problemas e, afinal de contas, eram apenas animais&#8230;</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Nem Resgate ou Expurgo conseguiam se concentrar para acionar seus poderes, suas mentes mal conseguiam perceber o que estava acontecendo, mas eles continuavam a tentar se recuperar. Não era apenas o cheiro, era algo mais e eles nem imaginavam o que poderia ser.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">- Quando eu apareci diante do pobre Roberto ele já havia feito várias vítimas, em sua escola e mais tarde na faculdade&#8230; Quando os pais dele resolveram interferir, ele simplesmente matou a ambos, com uma crueldade que eu devo ressaltar, surpreendeu até a mim&#8230; Nessa época ele se entregou totalmente ao que eu oferecia e então começamos a “colecionar” esses anjinhos&#8230; – Com um movimento amplo ele esticou os braços na direção das crianças, que se afastavam cada vez mais, nos rostinhos, máscaras de medo, exceto a menina que disse quando Fernando havia chegado ao galpão. – Pois eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, você apareceria Resgate e eu poderia te influenciar a se envolver, trazendo-o até aqui&#8230; Foi uma grata surpresa o seu “irmão” fazer a gentileza de aparecer também&#8230; Assim&#8230; Eu&#8230;</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">Ele fez uma pausa, se abaixou mais e sua cabeça ocupou o mesmo espaço da cabeça do rapaz, que permanecia sentado, para, logo em seguida, todo o espírito do vilão entrar no corpo do outro. Roberto se levantou vagarosamente, tendo suas feições sendo ocultadas por uma máscara, as roupas esfarrapadas foram substituídas por uma espécie de uniforme que lembrava as cores do que o Flagelo vestia. Ele piscou os olhos várias vezes até que esses ficassem iguais aos do vilão e então ele falou, com uma voz que em nada lembrava a do vilão falecido:</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">- Agora o novo Flagelo pode fazer o que o antigo nunca fez&#8230; Posso matar o mesmo homem&#8230; Duas vezes!</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">Continua.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western">&nbsp;</p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">[1] Esses fatos ocorreram na minissérie de origem do Herói.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">[2] Tudo isso pode ser conferido com mais detalhes nos capítulos de 1 a 12 do título mensal do Resgate, além, é claro, do Especial de Natal do personagem.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">[3] Não deixe de conferir esses encontros nas minis Limites e O Último Crepúsculo.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">[4] Isso tudo aconteceu do capítulo 13 a 24 e do especial de Natal do título mensal do Resgate.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">[5] Não perca as emoções das atuais histórias do Revolt.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font size="1"><font face="Verdana, sans-serif">[6] Não deixe de conferir Ao Entardecer #1. A origem da Procyon. </font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">[7] Traduzido do Inglês.</font></font></p>
<p align="justify" style="margin-bottom:0;" class="western"><font face="Verdana, sans-serif"><font size="1">[8] Não deixe conferir a One-shot Sagrada Justiça.</font></font></p>
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